{"id":21320,"date":"2026-04-02T14:17:43","date_gmt":"2026-04-02T17:17:43","guid":{"rendered":"https:\/\/sinproquim.org.br\/?p=21320"},"modified":"2026-04-02T14:17:43","modified_gmt":"2026-04-02T17:17:43","slug":"acordo-mercosul-uniao-europeia-traz-importantes-mudancas-para-a-industria-quimica-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabricac.com.br\/news\/acordo-mercosul-uniao-europeia-traz-importantes-mudancas-para-a-industria-quimica-brasileira\/","title":{"rendered":"Acordo Mercosul-Uni\u00e3o Europeia traz importantes mudan\u00e7as para a ind\u00fastria qu\u00edmica brasileira"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Realizado no dia 27 de mar\u00e7o, em S\u00e3o Paulo, o semin\u00e1rio que analisou os impactos do Acordo Mercosul- UE para a ind\u00fastria brasileira foi acompanhado por Luciana Oriqui, assessora para Assuntos de Sustentabilidade do Sinproquim. Promovido pela Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria (CNI), com apoio do Minist\u00e9rio do Desenvolvimento, Ind\u00fastria, Com\u00e9rcio e Servi\u00e7os (MDIC) e Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, o evento reuniu, no primeiro painel, o presidente da CNI, Ricardo Alban, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, a ministra do Planejamento, Simone Tebet, o vice-presidente Geraldo Alckmin, a embaixadora Paula Barbosa, do Itamaraty, a secret\u00e1ria Tatiana Prazeres, do MDIC, Reginaldo Arcuri, presidente da Coaliz\u00e3o Empresarial Brasileira, e Jos\u00e9 Luiz Gordon, diretor do BNDES.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se a abertura do semin\u00e1rio trouxe a vis\u00e3o estrat\u00e9gica e pol\u00edtica do acordo, o segundo painel mergulhou no que realmente importa para quem opera no mercado: como o acordo funciona na pr\u00e1tica, o que ele protege, o que ele abre e o que cada empresa precisa fazer agora. Participaram do debate a embaixadora Paula Barbosa, do Itamaraty, que acompanhou as negocia\u00e7\u00f5es por mais de duas d\u00e9cadas; a secret\u00e1ria Tatiana Prazeres, do MDIC, respons\u00e1vel pela condu\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica da \u00faltima fase; Reginaldo Arcuri, presidente da Coaliz\u00e3o Empresarial Brasileira; e Jos\u00e9 Luiz Gordon, diretor do BNDES. A modera\u00e7\u00e3o foi de Constanza Negri, gerente de Com\u00e9rcio e Integra\u00e7\u00e3o Internacional da CNI.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ap\u00f3s mais de 25 anos de negocia\u00e7\u00f5es, o acordo entre o Mercosul e a Uni\u00e3o Europeia \u00e9 realidade. Aprovado pelo Congresso Nacional em mar\u00e7o de 2026 e com vig\u00eancia provis\u00f3ria a partir de 1\u00ba de maio, o tratado representa o maior acordo comercial entre blocos j\u00e1 firmado na hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A embaixadora Paula Barbosa, que acompanhou as negocia\u00e7\u00f5es por mais de duas d\u00e9cadas, foi direta ao contextualizar o processo: &#8220;N\u00f3s falamos em 26 anos de negocia\u00e7\u00e3o, mas na pr\u00e1tica esse n\u00e3o foi um processo linear, de modo algum. Foi um processo de idas e vindas, de congelamentos v\u00e1rios, de muitas gest\u00f5es para retomada. De negocia\u00e7\u00e3o efetiva, n\u00f3s tivemos, na verdade, 14 anos \u2014 com 45 rodadas.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que sustentou o processo ao longo de diferentes governos foi uma convic\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica constante: a de que a aproxima\u00e7\u00e3o com a Europa &#8220;provocaria de fora para dentro uma grande modifica\u00e7\u00e3o na ind\u00fastria, no mercado brasileiro, nas nossas cadeias de valor.&#8221; Para o setor qu\u00edmico e petroqu\u00edmico, essa l\u00f3gica \u00e9 especialmente relevante \u2014 a Europa \u00e9 refer\u00eancia global em tecnologia qu\u00edmica, em regula\u00e7\u00e3o ambiental e em padr\u00f5es de inova\u00e7\u00e3o que o Brasil precisa incorporar para dar o salto de competitividade que o momento exige.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O acordo s\u00f3 se concretizou porque, pela primeira vez, houve o que a embaixadora chamou de &#8220;casamento entre o t\u00e9cnico e o pol\u00edtico&#8221; \u2014 um pacote s\u00f3lido que encontrou, ao mesmo tempo, vontade pol\u00edtica dos dois lados para fech\u00e1-lo. Esse momento foi criado, em grande parte, pela crise geopol\u00edtica internacional. Como disse o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante: &#8220;O governo Trump foi uma ruptura em rela\u00e7\u00e3o a um cen\u00e1rio multilateral que j\u00e1 vinha perdendo relev\u00e2ncia. A Uni\u00e3o Europeia tamb\u00e9m foi atingida por esse processo \u2014 e isso despertou um sentimento hist\u00f3rico. N\u00f3s temos uma grande oportunidade nesse cen\u00e1rio de buscar essa aproxima\u00e7\u00e3o, que \u00e9 fundamental para o Ocidente.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A embaixadora Paula tamb\u00e9m apontou um desequil\u00edbrio crescente que o acordo ajuda a corrigir: &#8220;A China hoje tem o dobro da participa\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Europeia na nossa balan\u00e7a comercial. Esse acordo pode fazer um reequil\u00edbrio desses pesos.&#8221; Para um setor que historicamente registra d\u00e9ficits expressivos com a Europa e com a Am\u00e9rica do Norte \u2014 que somados superaram US$ 20 bilh\u00f5es em 2024 \u2014 diversificar e formalizar essa rela\u00e7\u00e3o em bases mais equilibradas \u00e9 uma necessidade estrutural.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Um mercado de 720 milh\u00f5es de pessoas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O acordo conecta dois dos mais relevantes blocos econ\u00f4micos do planeta. Juntos, Mercosul e Uni\u00e3o Europeia re\u00fanem cerca de 718 milh\u00f5es de pessoas e um PIB combinado de aproximadamente US$ 22,4 trilh\u00f5es. A UE \u00e9 o segundo principal parceiro comercial do Brasil, com corrente de com\u00e9rcio de bens que alcan\u00e7ou US$ 100 bilh\u00f5es em 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O setor qu\u00edmico e petroqu\u00edmico figura entre os segmentos industriais diretamente impactados pela abertura tarif\u00e1ria prevista no acordo, tanto pelo potencial de amplia\u00e7\u00e3o das exporta\u00e7\u00f5es quanto pelo acesso a insumos e tecnologias europeias em condi\u00e7\u00f5es mais competitivas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A secret\u00e1ria Tatiana Prazeres detalhou a arquitetura do acordo. Do lado europeu, a oferta \u00e9 ambiciosa: &#8220;Estamos falando de 96% de tudo que os europeus compram do Brasil com cobertura tarif\u00e1ria. O que est\u00e1 coberto por cotas representa apenas 5% do que vendemos para a Uni\u00e3o Europeia.&#8221; A desgrava\u00e7\u00e3o europeia \u00e9 frontcarregada \u2014 cerca de 10 mil produtos j\u00e1 entram em vigor em 1\u00ba de maio, com metade deles passando imediatamente a tarifa zero. Para o setor industrial, aproximadamente 80% das linhas tarif\u00e1rias s\u00e3o liberalizadas j\u00e1 na entrada em vigor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Do lado brasileiro, o cronograma \u00e9 deliberadamente mais lento: &#8220;Cerca de metade de tudo que o Brasil importa da Uni\u00e3o Europeia ter\u00e1 imposto de importa\u00e7\u00e3o zerado com 10 anos ou mais da entrada em vigor do acordo.&#8221; Para a ind\u00fastria qu\u00edmica nacional, esse ritmo gradual \u00e9 ao mesmo tempo prote\u00e7\u00e3o e prazo \u2014 tempo para modernizar, inovar e se preparar para competir em condi\u00e7\u00f5es mais abertas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m das tarifas, o acordo incorpora cap\u00edtulos sobre sustentabilidade, compras governamentais, propriedade intelectual e novas tecnologias \u2014 elementos que ampliam o escopo das rela\u00e7\u00f5es comerciais muito al\u00e9m das al\u00edquotas. No cap\u00edtulo de compras governamentais, setores sens\u00edveis foram retirados da oferta brasileira, incluindo integralmente as compras do SUS, preservando o espa\u00e7o para pol\u00edtica industrial onde o governo considerou essencial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Oportunidades reais \u2014 e aten\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O acordo abre portas. Mas para a ind\u00fastria qu\u00edmica e petroqu\u00edmica, aproveit\u00e1-lo bem exige leitura cuidadosa do novo ambiente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Do lado das oportunidades, a progressiva elimina\u00e7\u00e3o tarif\u00e1ria e regras mais claras criam um ambiente mais previs\u00edvel para o com\u00e9rcio exterior de produtos qu\u00edmicos. O acesso a tecnologias europeias de ponta \u2014 em processos, equipamentos e materiais \u2014 tende a baratear insumos e viabilizar a moderniza\u00e7\u00e3o do parque industrial nacional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Do lado dos desafios, a abertura gradual do mercado brasileiro a produtos europeus exige que as empresas do setor estejam atentas ao novo ambiente competitivo e se antecipem \u00e0s mudan\u00e7as \u2014 identificando onde est\u00e3o suas vantagens e onde h\u00e1 espa\u00e7o para ganhar efici\u00eancia e inova\u00e7\u00e3o. O caminho n\u00e3o \u00e9 aguardar o impacto. \u00c9 agir antes dele.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A secret\u00e1ria Tatiana foi clara sobre o que precisa acontecer: &#8220;Para que as oportunidades previstas no acordo virem neg\u00f3cios, \u00e9 necess\u00e1rio que o setor privado se enxergue no acordo. \u00c9 necess\u00e1rio que cada empresa entenda quando o seu produto desgrava, quando o seu insumo desgrava, como esse acordo permite vender, participar de compras p\u00fablicas na Europa.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Salvaguardas: O instrumento de prote\u00e7\u00e3o que o setor precisa conhecer<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para a ind\u00fastria qu\u00edmica, um dos pontos mais relevantes do semin\u00e1rio foi a discuss\u00e3o sobre salvaguardas bilaterais \u2014 o mecanismo que permite ao Brasil suspender cronogramas de desgrava\u00e7\u00e3o ou restabelecer tarifas caso haja um surto de importa\u00e7\u00f5es que cause preju\u00edzo grave \u00e0 ind\u00fastria nacional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No mesmo dia do evento, o governo publicou no Di\u00e1rio Oficial uma tomada de subs\u00eddios em consulta p\u00fablica, convidando o setor privado a se manifestar sobre como esse mecanismo deve ser regulamentado. Tatiana foi direta: &#8220;N\u00f3s estaremos prontos para implementar esse mecanismo, caso haja necessidade por parte da ind\u00fastria. O setor privado pode provocar o governo para que eventualmente uma medida de salvaguarda seja adotada.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os par\u00e2metros s\u00e3o claros: um surto de importa\u00e7\u00e3o que cause preju\u00edzo grave \u00e0 ind\u00fastria brasileira em fun\u00e7\u00e3o da liberaliza\u00e7\u00e3o prevista no acordo. A resposta pode ser a suspens\u00e3o do cronograma de desgrava\u00e7\u00e3o ou o retorno \u00e0 tarifa pr\u00e9-existente. Para o setor qu\u00edmico e petroqu\u00edmico, que opera em segmentos onde a competi\u00e7\u00e3o com produtos europeus pode se intensificar \u00e0 medida que as tarifas caem, conhecer e usar esse instrumento \u00e9 parte essencial da estrat\u00e9gia de adapta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre eventuais preocupa\u00e7\u00f5es com a regulamenta\u00e7\u00e3o europeia do mesmo mecanismo, a postura do governo brasileiro foi firme. Nas palavras da secret\u00e1ria: &#8220;N\u00f3s temos preocupa\u00e7\u00e3o com aquilo que foi decidido. Mas o problema se materializa quando a Uni\u00e3o Europeia vier a conduzir uma investiga\u00e7\u00e3o a partir de par\u00e2metros que, na nossa vis\u00e3o, podem violar o que foi acordado. Quando isso acontecer, n\u00f3s temos instrumentos para responder.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A mensagem do Sinproquim \u00e0s associadas \u00e9 direta: participem da consulta p\u00fablica. \u00c9 o momento de influenciar como o principal instrumento de prote\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria ser\u00e1 operacionalizado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Sustentabilidade: de exig\u00eancia Europeia a ativo estrat\u00e9gico brasileiro<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tatiana explicou como o Brasil reverteu uma demanda europeia em vantagem: &#8220;Esse tema come\u00e7ou como uma demanda europeia, porque afinal de contas precisava de garantias sobre desmatamento. E o Brasil conseguiu reverter essa demanda num ativo estrat\u00e9gico para a conclus\u00e3o do acordo em bases melhores para o pa\u00eds.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os resultados concretos incluem o reconhecimento dos dados brasileiros na implementa\u00e7\u00e3o de restri\u00e7\u00f5es ao com\u00e9rcio com base ambiental, o compromisso de que barreiras comerciais precisam ser fundadas em ci\u00eancia \u2014 n\u00e3o em press\u00f5es pol\u00edticas \u2014 e um prazo de um ano ap\u00f3s a entrada em vigor para que os europeus facilitem o acesso preferencial a produtos sustent\u00e1veis brasileiros. Uma negocia\u00e7\u00e3o que come\u00e7a agora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;N\u00f3s estamos em uma posi\u00e7\u00e3o melhor em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s preocupa\u00e7\u00f5es do mercado europeu sobre sustentabilidade com o acordo do que estar\u00edamos sem ele. O acordo cria mecanismos institucionais que obrigam o outro lado a dialogar conosco&#8221;, afirmou a secret\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para a ind\u00fastria qu\u00edmica e petroqu\u00edmica, que convive cotidianamente com exig\u00eancias regulat\u00f3rias ambientais crescentes, esse cap\u00edtulo \u00e9 um escudo e uma oportunidade ao mesmo tempo. Empresas que j\u00e1 investem em descarboniza\u00e7\u00e3o, em qu\u00edmica de base renov\u00e1vel e em processos mais limpos est\u00e3o mais bem posicionadas para acessar o mercado europeu \u2014 e o acordo formaliza esse diferencial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Uma janela de 10 Anos \u2014 e o rel\u00f3gio j\u00e1 est\u00e1 correndo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A ministra do Planejamento, Simone Tebet, trouxe ao debate uma perspectiva que vai al\u00e9m do acordo em si: &#8220;O Brasil tem uma janela de oportunidade muito curta se fechando. O prazo m\u00e1ximo para tomarmos as \u00faltimas e definitivas decis\u00f5es envolvendo energia limpa, terras raras, minerais cr\u00edticos, desburocratiza\u00e7\u00e3o e avan\u00e7o das reformas \u00e9 uma d\u00e9cada. N\u00f3s temos 10 anos para destravar o Brasil \u2014 porque estamos ficando velhos antes de ficarmos ricos enquanto na\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ela apontou tr\u00eas pilares que, juntos, criam condi\u00e7\u00f5es in\u00e9ditas para a ind\u00fastria: &#8220;Pela primeira vez, com a reforma tribut\u00e1ria, a Nova Ind\u00fastria Brasil e o acordo Mercosul\u2013UE, temos condi\u00e7\u00f5es de fazer com que a ind\u00fastria brasileira alcance o patamar de participa\u00e7\u00e3o no PIB que j\u00e1 acontece nos pa\u00edses da OCDE. Sem ind\u00fastria forte n\u00e3o h\u00e1 emprego, n\u00e3o h\u00e1 renda, n\u00e3o h\u00e1 diminui\u00e7\u00e3o da desigualdade social.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para o setor qu\u00edmico e petroqu\u00edmico, essa janela tem significado muito concreto: investir agora em adequa\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, em certifica\u00e7\u00f5es compat\u00edveis com padr\u00f5es europeus, em sustentabilidade operacional e em desenvolvimento de produtos de maior valor agregado. Quem se posicionar nos pr\u00f3ximos anos estar\u00e1 no acordo. Quem aguardar pode ficar de fora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Financiamento: os recursos est\u00e3o dispon\u00edveis<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Jos\u00e9 Luiz Gordon, diretor do BNDES, detalhou o esfor\u00e7o de financiamento que acompanha a entrada em vigor do acordo. Na semana do semin\u00e1rio, foram anunciados R$ 25 bilh\u00f5es em novas linhas para o setor industrial \u2014 incluindo R$ 15 bilh\u00f5es do Brasil Soberano, com foco expresso em setores como f\u00e1rmacos, qu\u00edmico e fertilizantes, e mais R$ 10 bilh\u00f5es a 6,5% ao ano para aquisi\u00e7\u00e3o de m\u00e1quinas 4.0 e equipamentos verdes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Gordon foi direto sobre o problema: &#8220;O \u00faltimo estudo sobre a idade m\u00e9dia do parque fabril brasileiro j\u00e1 tem 10 anos \u2014 e mesmo assim apontava 15 anos de defasagem. Se a gente n\u00e3o trabalhar com moderniza\u00e7\u00e3o do parque fabril, n\u00e3o conseguiremos ter competitividade num cen\u00e1rio de competi\u00e7\u00e3o global.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O diretor tamb\u00e9m destacou o diferencial da matriz energ\u00e9tica brasileira como argumento de atra\u00e7\u00e3o de investimentos europeus em P&amp;D: &#8220;Se voc\u00eas querem fazer pesquisa e desenvolvimento verde, voc\u00eas t\u00eam que fazer aqui no Brasil. Nossa matriz energ\u00e9tica \u00e9 majoritariamente renov\u00e1vel. Daqui vai sair a IA verde, daqui vai sair uma s\u00e9rie de produtos verdes desde a sua origem.&#8221; Ele citou o Centro Global de P&amp;D da Bosch, transferido da Alemanha para o Brasil, como exemplo concreto dessa tend\u00eancia \u2014 e sinalizou que outras empresas europeias est\u00e3o seguindo o mesmo caminho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre 2023 e 2025, BNDES e Finep aprovaram R$ 71,5 bilh\u00f5es para projetos de inova\u00e7\u00e3o no \u00e2mbito da Nova Ind\u00fastria Brasil \u2014 resultado 321% superior ao ciclo anterior. O presidente da CNI, Ricardo Alban, cobrou que esse esfor\u00e7o se irradie al\u00e9m do sistema p\u00fablico: &#8220;N\u00e3o podemos permitir que apenas o BNDES seja comprometido com essa possibilidade de dar competitividade. O custo financeiro \u00e9 um dos piores custos do Brasil \u2014 temos que radiar isso para o sistema financeiro.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Reforma Tribut\u00e1ria: al\u00edvio estrutural para o setor<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O vice-presidente Geraldo Alckmin foi enf\u00e1tico sobre o peso tribut\u00e1rio que recai sobre a ind\u00fastria: &#8220;A ind\u00fastria est\u00e1 super tributada. Tem 12% do PIB, paga 30% de imposto. A reforma vai fazer justi\u00e7a.&#8221; A unifica\u00e7\u00e3o de tributos em um IVA simplificado reduz custos operacionais, desonera exporta\u00e7\u00f5es e elimina o ac\u00famulo de cr\u00e9ditos que hoje trava empresas exportadoras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para o setor qu\u00edmico \u2014 que opera com cadeias longas e complexas, vendendo para m\u00faltiplos estados e lidando com regimes tribut\u00e1rios diferenciados por produto, destino e finalidade \u2014 essa simplifica\u00e7\u00e3o tem impacto direto na competitividade. Menos burocracia tribut\u00e1ria significa mais capacidade de investimento, mais previsibilidade e mais efici\u00eancia nas opera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coordena\u00e7\u00e3o: a palavra-chave do momento<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Reginaldo Arcuri, \u00e0 frente da Coaliz\u00e3o Empresarial Brasileira, resumiu o desafio que vem pela frente com uma palavra: &#8220;Coordena\u00e7\u00e3o. Voc\u00ea pode ter o modelo de pol\u00edtica industrial que quiser \u2014 se n\u00e3o tiver uma coordena\u00e7\u00e3o eficaz e cotidiana, primeiro dentro do governo e do governo com o setor privado, voc\u00ea n\u00e3o aproveita as oportunidades nem enfrenta os desafios.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Arcuri tamb\u00e9m lembrou que o acordo n\u00e3o \u00e9 um destino: &#8220;Ideias e a\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas tomam tempo. Estivemos juntos em circunst\u00e2ncias variadas ao longo de mais de 26 anos. Mas estamos numa coisa que tem for\u00e7a e capacidade de gerar resultados extremamente importantes.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A embaixadora Paula encerrou apontando que o Mercosul\u2013UE \u00e9 s\u00f3 o come\u00e7o de uma agenda maior: &#8220;Estamos negociando com o Canad\u00e1, com os Emirados \u00c1rabes Unidos, com a \u00cdndia, reabrindo o acordo com o Vietn\u00e3, em di\u00e1logo explorat\u00f3rio com o Jap\u00e3o. Essa troca com o setor privado segue sendo essencial para dar dire\u00e7\u00e3o ao governo sobre quais s\u00e3o os melhores mercados em que dever\u00edamos focar.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O que o Sinproquim recomenda \u00e0s associadas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O acordo estar\u00e1 em vigor a partir de 1\u00ba de maio. Os instrumentos de prote\u00e7\u00e3o est\u00e3o sendo regulamentados. O financiamento est\u00e1 dispon\u00edvel. O que falta \u00e9 que cada empresa encontre seu lugar nesse novo mapa e comece a agir. O Sinproquim recomenda aten\u00e7\u00e3o a tr\u00eas frentes imediatas:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Primeiro, mapear o impacto tarif\u00e1rio espec\u00edfico nos produtos e insumos da empresa \u2014 identificando quais NCMs desgravam quando, tanto no lado das exporta\u00e7\u00f5es para a Europa quanto das importa\u00e7\u00f5es de insumos europeus.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo, participar da consulta p\u00fablica sobre salvaguardas bilaterais publicada no Di\u00e1rio Oficial. \u00c9 o momento de influenciar como o principal instrumento de prote\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria ser\u00e1 operacionalizado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Terceiro, avaliar as oportunidades de financiamento dispon\u00edveis \u2014 especialmente as novas linhas do BNDES para moderniza\u00e7\u00e3o do parque fabril e para setores estrat\u00e9gicos como o qu\u00edmico e o farmac\u00eautico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As implica\u00e7\u00f5es para o setor qu\u00edmico decorrentes do Acordo Mercosul-UE s\u00e3o analisadas nesse artigo elaborado por Luciana Oriqui, assessora do Sinproquim.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":21321,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[215],"tags":[],"class_list":["post-21320","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-setor"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fabricac.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21320","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/fabricac.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fabricac.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fabricac.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fabricac.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21320"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/fabricac.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21320\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fabricac.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/media\/21321"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fabricac.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21320"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fabricac.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21320"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fabricac.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21320"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}